Não sei o que acontece com o ser humano, um ser tão
perfeitamente construído, cheio de habilidades, de inteligência,
de beleza, todavia...
Ouve-se ao longe um carro se aproximando em alta velocidade. É madrugada
de sexta-feira para sábado. De repente estouros, gritos, vidraças
quebradas, sangue, silêncio. Naquele instante, o mundo pára.
Alguém morreu, para mim quase sem diferença alguma, é
uma pessoa que nem conheço, que está a quilômetros de
mim. Viro para o outro lado da cama e volto a dormir, porém, a alguns
quilômetros o telefone toca, novamente ouvem-se gritos, correria,
pavor, horror e vê-se sangue que escorre, não de um ferimento
à bala, mas, sim, dos olhos de uma mãe. “Seu filho, senhora,
estava voltando do trabalho e acabou levando um tiro. Ele morreu”. Por alguns
instantes, por alguns segundos, o mundo pára novamente. Passa pela
cabeça da mãe o nascimento do seu filho, a primeira palavra
que seu filho falou, a primeira vez que seu filho andou, a primeira vez
que seu filho disse: “Mamãe, eu te amo”.O mundo cai em cima daquela
mulher, a partir de agora, infeliz e mortificada, dilacerada, pois cortaram
a metade do seu coração. A mãe corre para o hospital,
onde está o corpo de seu filho para o reconhecimento. O mundo já
destruído parece tremer. Ela já não enxerga quase nada,
quase não consegue falar, mas diz: “Este é meu filho”.
Este relato é de uma mulher que chegou ao hospital das clínicas
em São Paulo após saber que seu filho tinha sido morto por
bandidos na guerra urbana que tomou São Paulo em um dia que nem quero
lembrar qual era. Era dor, era sofrimento, era Brasil.
A nós cabe rezar. A paz tão sonhada era... E ainda é
possível ser. Basta acreditar e sermos humanos porque fomos perfeitamente
construídos. A paz já veio a este mundo, mas não estamos
sabendo amá-la e segui-la. Falta amor, falta Deus, falta vida.
Brayan Filipe Faria da Silva
2º col