Ventania

 

Os anos se passaram, as gerações se desenvolveram e, juntamente com isso, aumentou a força da grande ventania que tanto devasta as florestas humanas, carregando suas folhas, seus frutos e, quando não, suas próprias árvores.

Estas árvores já não possuem suas raízes tão profundas e fixas o suficiente para suportar a força da ventania, sem contar que muitas dessas e outras mais permitiram que os cupins se alojassem em seus troncos, tornando-as ocas. Seus frutos, no outono hoje cinzento, nascem, mas seus sabores já não são tão deleitáveis como os de outrora.

Aos que desfrutaram de tais frutos no passado, hoje passam até fome, porém isso não é motivo para que percamos nossas esperanças pois as sementes que estes frutos trazem em seu interior tem vida que, se bem cultivadas, serão as árvores que darão sabor e cor às florestas humanas novamente e se porventura a ventania voltar a atacar, estas terão raízes suficientemente fortes para suportá-la sem sofrer danos.

 

Rafael Picerni,

3º col.