O pão nosso de cada dia...

 

Em certas ocasiões é quadrado, em outros casos é redondo, porém pode ser chato também, enfim tem mil formas, e forma nenhuma, ou melhor, tem um formato pronto, único e variado, coisa que a geometria não explica. Se aproximando, posso tocá-lo, crespo e lisinho, grudento e melado, seco e molhado, macio e até duro – depende do tempo – firme e delicado, algo difícil de entender.

         Não faz barulho, porém a causa, ao sai do forno logo se escuta um estrondoso berro: - mamãe fez pão!

         O perfume, ah! Que essência divina, que cheiro entorpecente quando amassado, com o perfume vem também a água, água essa que enche a boca. Água que surge da língua e desperta desejo, gula... – Aí que fome que dá só de pensar. Quando o primeiro pedaço vai  boca a dentro, delícia... Desmanchando aos poucos.

         Misto de sensações.

         Sabor sem igual, que nem mesmo os profetas e poetas de todos os tempos e de todas as nações conseguem converter em palavras.

         Delícia tão fenomenal, que até mesmo Deus em toda sua grandiosidade, quis se deixar em forma deste. Se fazer o pão que desceu do céu. Algo ainda mais difícil de entender. Mistério real de fé. Como pode simples mistura de trigo e de água se tornar algo tão sublime?

         Coisa difícil de se explicar!

 

Julio César,

2º col.