FOTO DA AMADA

O pensador pára...
Escreve...
Chora.
A perda sempre machuca seu ar poético...
Um olhar perdido,
A lembrança que vem ao seu encontro.
Acha-se perdido...
E a caneta à espera da prosa coerente.
Um suspiro...
Uma lágrima.
Depois se levanta.
Procura a amada atrás de um livro
De Carlos Drummond de Andrade,
A única lembrança que ainda o ampara
No seu leito de morte...
Lembra-se de tudo:
Do amor que herdou, deu,
Mas nunca teve de volta.
Alguém bate à porta.
Ele, caído na sala, sem nada.
A foto da amada desbotada
Ri e chora a morte do poeta.

Diego Santos
2º ano