MEU SANGUE

O sangue que em minhas veias corre
Tem por outras passado.
Esse, rebuscado na cabana de pedra fria da esquecida Polônia, Útero que nutriu esta esperança de Deus,
Tem seu afluente nas montanhas geladas de Bérgamo
Da santa Itália, terra de santos e fogueiras, danças e vinhos.
Vinho no sangue;
Sangue com vinho.
Um bêbado de sangue
Outro bêbado de vinho,
Caído nas valetas do esquecimento
Levado ao túmulo com: Pedro, Amália, Jacinto,
Ana, Boaventura, Maria, Macemiliano,
Nas terras de Paulo Bento e Caxias do Sul.
Salve terra de passado,
Quatro Irmãos, Rio Jacutinga que umedeceu meus olhos.
Salve terra santa, de cruz velha, mármore velho, cercas novas.
Salve cemitério do meu sangue, sepultura do passado.
Busco coragem em Pedro bugreiro,
Caçador de animal enriquecido em ceifar almas.
Salve branco passado de pele de Amália fiel,
Prendada com honras nas mãos.
Salve Jacinto afogado nas canhas.
Salve Ana sobre os panos da morte, preço de duas vidas.
Salve Boaventura, das sombras e sereno das copas dos pinheiros.
Salve Maria do trabalho, do sagu com marmelo, das lágrimas.
Salve Macemiliano, rígido de rosto e coração, domador de cavalos e videiras.
Morreram todos, mas plantaram no solo da eternidade suas sementes, que brotam para encher o mundo com vinho e suco de ervateira.
Salve mãe Inês dos bordados, das mãos perfumosas de rosas e massas.
Salve pai Selito dos cimentos, sementes, fogo e poucos sorrisos.
Salve os frutos da macieira.
Há uma rosa vermelha desabrochando no jardim do consciente.

Rubiano Facchi
3º ano