As estranhas sonoridades capturadas por uma teia

 

 

 

Alguns dias atrás, uma ruivinha e alguns rapazes vieram sentar-se em baixo da minha teia. Estiquei todas as minhas oito pernas para tentar ouvir o que se passava naquela estranha reunião.

“Mas qual era a intenção do índio?” alguém perguntou – “resposta c

Desisti de tentar entender o que se passava naquela bizarra cena, sem mais, fui tomar meu banho-de-sol matinal, afinal entender qualquer coisa que esse tal de bicho-homem faz é coisa para psicólogo. Não quero causar-lhes uma araquinofobia.

Já havia me esquecido da presença deles, quando de repente ouço um grito horripilante! – Olha! Que teia-de-aranha mais horrorosa.

Não acreditei no que meus ouvidos escutaram, como teve a coragem de se referir assim a minha teiazinha tão bem feita e lindinha? Que falta de educação, falam mal de tudo que existe, depois vem botar defeito na minha teia, quanta ousadia! Quanta astúcia! Ensinei a todas as minhas 43 filhas que isso não se faz.

Que falta de educação. Povo sem respeito.

 

Julio César Cintrão

3º ano