A pipoca e a ressurreição
Certo dia, ao comer pipoca, me
lembrei quando era criança, das
inúmeras vezes da grande festa que fazíamos quando minha avó convidava, todos os
netos para comermos pipoca. Em torno do fogão aguardávamos os estouros. Era o
sinal da alegria. Quanto mais estouros, mais ansiosos ficávamos. O milagre que
nos encantava era, de uma panela com grãos de milho duro e pequeno, se transformarem numa
deliciosa “flor” branca, alimento e diversão para nós crianças e também para os
adultos. Ninguém resistia à tentação de participar da festa. Que alegria a
nossa ver essa transformação. Até hoje ficamos encantados com essa grande
transformação, que acontece com o milho de pipoca.
É interessante que quando crescemos, algumas vezes,
nos damos conta que certas experiências que já vivemos, começam a ganhar novos
significados. O estourar do milho de pipoca me fez perceber que a vida da gente
pode ser como esse mesmo milho, e mais, a ressurreição de Jesus e a nossa passa
pelo mesmo processo do milho de pipoca. O milho duro e pequeno que para se
transformar é levado ao fogo, com óleo fervendo. Imagine você um milho na
panela, provavelmente pensaria, agora é o fim, vamos todos morrer. E de repente
o estouro, o milagre, a transformação: o milho se tornou pipoca, alimento e
alegria para todos. Não podemos esquecer que nem todos os milhos se
transformam: são os piruás. Permanecem milho, não dá
para comer e nem servem mais para nada, esses, jogamos fora. Se antes o
estourar do milho de pipoca significava o anúncio de que o alimento da festa
estava prestes a ser servido, hoje a pipoca me faz lembrar da festa da
transformação. No óleo quente o milho se transforma em alimento para todos, nos
convidando a nos transformarmos
também, a não permanecermos piruás. Há milho de pipoca que não quer se
transformar, mesmo passando pelas grandes provações da vida. Sejamos pipocas! É
a festa da transformação. É a festa da Ressurreição! Deus se tornou alimento! Feliz
Páscoa!
Frei
Marcos Antônio de Andrade OFM