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Agudos, 22/09/2019, 21:19
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Discurso - Frei José Idair Ferreira Augusto
AGUDOS: UMA LONGA CAMINHADA SAUDAÇÃO:

Vivi neste seminário desde o início do ano de 1980 até final de 1986. Fiz aqui o 1º e 2º graus. Foi uma longa caminhada, da qual gostaria de partilhar alguns pontos que marcaram profundamente a minha vida e com certeza a vida de tantos que comigo percorreram este longo caminho de sete anos.

1. Um fato marcante já em 1980 foi a acolhida nesta casa. Como Moisés que ao longe avistara a terra esperada, já de longe avistamos esta imensa maravilha, pronta para nos acolher no seu seio, através de frades alegres e sorridentes, nos abraçando e nos acolhendo calorosamente. Mais tarde no contato com as fontes franciscanas, entendi a razão deste gesto que se repetia a cada ano, em cada volta, em cada recomeço: "Se alguém por inspiração divina, quiser abraçar esta vida e for ter com nossos irmãos, esses o recebam carinhosamente" (1Rg2,1). Isso está gravado na alma e pulsa dentro de mim.

2. Outro ponto marcante da minha passagem por aqui foi a experiência de organização. Aqui fiz a experiência da participação democrática, aprendendo a ser protagonista da própria história, através da conivência fraterna, das equipes de vida, da coordenação colegiada e participativa através do sistema de Seniores nos vários setores de nossa vida aqui neste seminário. Aprendemos com isso a comunhão, a participação e a corresponsabilidade, onde o confronto com o diferente, com a autoridade exercida como serviço, não diminui, nem exclui, mas nos acrescenta e nos inclui na história que juntos somos chamados a construir.

3. Outra marca que aqui gostaria de registrar, é a disciplina, o rigor, a firmeza, acompanhadas de ternura, de compaixão de nossos diretores, orientadores e professores. Palavra de orientador, professor ou diretor era palavra de peso: peso pela exigência, pela segurança ao apontar os nossos erros, desvios e tropeços na longa caminhada a que nos empenhávamos. Disciplina, rigor e firmeza, banhados pela capacidade de dialogar, a arte de ouvir as razões do outro e colocar às claras as nossas. A este propósito me recordo da palavra de Jesus: "Seja o vosso sim, sim; o vosso não, não. O que passa disso é obra do maligno!"

Estou convencido, ainda na minha pouca idade, que sem disciplina, sem rigor e firmeza, acompanhadas da ternura e da compaixão, não é possível o caminho da fraternidade, nosso sonho, nossa luta de cada dia. Vi muitas vezes nossos mestres serem misericordiosos, jamais os vi serem coniventes com os erros e desvios de nosso ideal e projeto de vida. Por isso admiro a coragem, a ousadia, a ternura, o vigor, a doação de nossos irmãos que se entregaram de corpo e alma ao fraterno serviço da formação.

4. Lembro ainda o trabalho, o esporte, o laser, o estudo, a oração, componentes da longa caminhada deste seminário, realizados numa harmonia, de tempo e espaço, fazendo-nos reviver a velha sentença do Eclesiástico: "Para cada coisa debaixo do céu existe o seu tempo". Carrego comigo a doce lembrança dos grandes momentos culturais e formativos vividos neste espaço que ora ocupamos; os grandes momentos de lazer, como as "Olimpíadas Frei Gabriel"; os momentos celebrativos, especialmente as missas comunitárias das 5ªs-feiras, as celebrações dominicais, as solenes liturgias da Semana Santa, das festas de Santo Antônio e São Francisco, sem contar as devoções marianas, com peregrinações até a nossa gruta. Momentos que nos faziam viver os grandes mistérios de nossa fé.

5. Por fim, destaco de modo particular a experiência do encontro com Deus, através dos retiros e dos momentos de oração pessoal. Há um fato do evangelho que vale a pena recordar: "Jesus estava certo dia rezando, e os discípulos vendo isso, se aproximaram dele e pediram: 'Senhor, ensina-nos também a rezar". Vendo os frades - e é justo que cite dois grandes: Frei Timóteo e Frei Barnabé - rezarem, eu também sentia vontade de rezar. Eis aqui, talvez um segredo próprio da oração e da contemplação.

Caros irmãos e irmãs, aqui estão algumas das tantas marcas que esta longa caminhada imprimiu no coração de alguém que viveu aqui dos 14 aos 21 anos; que no começo chorou dois meses seguidos de saudades da família; que no parecer médico não resistiria pela sua fragilidade, que no começo não tinha a força necessária para carregar sua própria mala; mas que graças a boa terra que acolheu no seu seio esta semente, está aí nos campos da Província tentando produzir alguns frutos para que o Reino de Deus se instaure e a vida tenha primazia na face da terra.

Portanto está em vossas mãos fatos de uma longa história! Porém, é bom não esquecer: a verdadeira história passa despercebida, tranqüilamente, no centro da alma humana!

"Obrigado Senhor, só pelo hoje, pois
carrego a saudade do ontem, e a esperança do amanhã!"

Muito obrigado! Tenho dito!

Discurso proferido por Frei José Idair Ferreira Augusto na Sessão Solene de Abertura do Ano Cinqüentenário do Seminário Santo Antônio

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