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Agudos, 12/11/2019, 23:07
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Discurso - Seminarista Renato Adriano Pezenti
AGUDOS, HOJE!

“Per aspera at astra” (Pelo áspero se chega aos astros)
A todos os que rejubilam pelas bodas de uma pequena porém profunda raiz do carisma franciscano. Paz e Bem!

Estamos em 1999, para mim, com apenas 17 anos a vida passou como um vôo razante, tanto mais para quem aqui morou e de alguma forma fez história, pois este vôo deve ter sido emocionalmente inesquecível. São calendários contados pela própria fé, porque só por Deus estes anos de seminário se passaram e cultivaram boas sementes.

Desejo, pulsar no compasso de 118 corações que vivem juntos, revelando a nossa ótica, o viver daqueles que hoje vitalizam este lar, na busca de tornar real o objetivo desta casa como sendo a nossa formação. Desejo falar como formando, como alguém, que caminha, sonha e busca a concretude de um ideal.

Sinto-me honrado por proferir neste evento singular. Primordialmente motivado por acreditar com todas as forças na vocação a ser cultivada a qual se é chamada e se vive intensamente.

Confesso, e pode parecer um tanto engraçado o fato de eu ter pensado seriamente em um assunto com pitadas de teologia e filosofia e tudo mais. Contudo percebi uma realidade muito fantástica que me fez acordar como que a tapas. Exponho-lhes franciscanamente sobre o viver voltado a um ideal sonhado, com o pensar e o agir. Resumindo, falo-lhes sobre nós: as sementes.

Tudo começa com um sonho, o sonho de deixar-se envolver-se por Cristo. Depois o sonho de vir para o seminário. Conseqüentemente o de completar cada instante e vencê-lo e devorá-lo não por obrigação e sim por paixão, tão logo acontece um passo muito importante, englobado numa circunferência essencial, um grande passo está sendo dado. Tudo girando em torno desta mesma circunferência, deste mesmo ideal, deste mesmo sonho.

“Viver o evangelho de Jesus Cristo aos passos de São Francisco de Assis”. Aparentemente dá a entender uma superfluosidade, uma falta de concretude.

Como viver a exemplo de São Francisco? Pois, eu lhes afirmo o que se quer, ama e busca, é encontrado! E nós vamos dando continuidade a nossa vida.

Um exemplo bastante realista do seminarista, de seu cotidiano e de sua vida resume-se numa pequena lenda chinesa transmitida a nós neste ano por Frei Vitório Mazzuco.

Trata-se do desejo de uma galinha de alimentar a humanidade nesta atual crise econômica, ovos com “baicon”. A galinha trocou sugestões com o porco, cabendo a ela aplicar as ações em ovos, sendo que o porco contribuiria com o “baicon”. Sendo aprovado o acordo partiram para a prática pois havia entre eles um compromisso. A galinha comeu bastante, botou os ovos e saiu cacarejando, pois para ela foi fácil, estava livre do compromisso. Chegou a vez do porco, ele também comeu bastante, mas na hora de apresentar o “baicon” e sair grunhindo ele sacrificou a própria vida no ato do comprometimento. Com o nutrir da humanidade, este ato lhe custou a própria vida. Sei que até mesmo os grandes gramáticos me autorizariam a substituir o compromisso e comprometimento por obrigação e responsabilidade.

Obrigação como uma promessa, dívida a ser paga. E responsabilização como um sim por inteiro, tanto de minha parte quanto da parte de outrem. Trata-se de uma resposta única que após ser muito bem pensada e aceita, exige de nós a vida. Chegar a um objetivo exige renúncia, prova disto é cada um de nós quando em comprometimento por amor, alimentamos a humanidade com nosso sangue, mesmo que seja por poucos instantes e a humanidade seja um só coração. Este momento transformar-se-à em alegria, quando compreendido que o comprometimento é caminho de seguimento, “de” seguimento de Cristo ao modo de São Francisco.

No dia 22 de fevereiro deste mesmo ano no dia da abertura do ano letivo o diretor Frei Marcos Antônio de Andrade aqui neste centro de cultura e arte motivou-nos a um período de muito empenho. Marcou-nos brevemente a história por nós conhecida como metáfora da condição humana. Podemos concluir que nossa casa compara-se com uma grande águia que porta dentro de si várias águias, todas com um ímpeto natural e viçoso de voar.

E ao olharem, fixamente para o sol, sentindo tamanho brilho, percebendo que uma força suprema chama, convida a um vôo que pode até ser o último, porém com uma proposta, com um objetivo: Viver “intensamente”.

Tomam fôlego, encaram o horizonte e voam, simplesmente voam. Assim como para elas voar é um ato sagrado, um ritual, um Dom recebido de Deus (o grande Astro).

Viver intensamente cada águia aqui nesta grande águia sob o sol sustentados, é um ato sagrado.

Jamais ficaria excluso o fator família no caminhar. Refiro-me ao calor, auxílio e oração da parte do pai, da mãe e dos irmãos, a respeito de quem conhecemos, nascemos e herdamos características fundamentais, passam a ser um forte abraço que jamais se rompe puramente. Não há muito o que explicar pois cada um sabe, o calor humano que ela possui, o cordão vital de confiança e compreensão. Seja a conquista que for, a família é o berço do caminhar e em seu desenrolar existe sempre muito amor e gratidão. O poder de apoio e força que a família desempenha, representam um bravo remo, a lançar avante o barco de nossas vidas, seja em tempestade, seja no marulhar rítmico de águas calmas.

Há uma questão bastante discutida e por sinal delicada:

Porque sendo Agudos considerado uma sementeira de vocações, que vive com tanto vigor, segundo meus próprios relatos. Por quê? Tamanha desistência e tão poucos concluístes no final da caminhada? Bom, para começar as desistências não acontecem por conseqüência de traumas e complexos adquiridos aqui.

“Muito são os chamados e poucos os escolhidos”

E ainda mais, se dentre tantos que aqui passaram os muitos que acabaram virando o leme e trocando o rumo, estão sem sombra de dúvida, preparados e concretizados, pelo menos, buscando com certeza, em seus afazeres, um mundo menos mau, um mundo com pitadas de sabor fraterno, vividos e extraídos daqui.

Sonhar faz parte da vida e por vez é o lugar onde as peças do quebra cabeça da vida se encaixam , sonhar sempre, São Francisco também sonhava. Grande parte dos seus sonhos aconteceram e continuam sendo sonhados por nós hoje. Nos afazeres do Seminário, e em qualquer parte onde a missa franciscana acontece, lembremo-nos do comprometimento, da doação por inteiro, e, vivemos seja qual for o tempo não nos alienemos.

Agudos tem um solo, onde uma semente existe, “e para não ficar vazia nem criar mato é preciso uma boa propaganda vocacional nas cidades e fundamentalmente o apoio familiar, e para que as sementes postas no solo germinem cabe a cada semente praticar o famoso provérbio latino “carpe diem” aproveite o dia. Curtir no sentido de aproveitar o máximo as energias reposta a cada manhã, equilibrar o tempo dedicado a cada afazer e compreender que apesar de vários horários estipulados “Cada dia é um dia totalmente diferente e, deixá-lo passar como uma nuvem que corre pelo céu para cair no mar, é perda de tempo, é perda de vida. Lutemos, respiremos fundo e aproveitemos o dia.

Nas palavras de frei Agostinho Salvador Pícollo na missa de encerramento do III encontro dos frades estudantes em julho de 1998 “Ser semente é sentir o gostinho de ser árvore.” Analisemos, percebamos o significado lógico, baseado no fato de uma semente ser tão pequena, porém, capaz de crescer e fazer-se lapidar-se e criar formato, utilidade e originalidade de árvore.

Concatenemos a idéia de só existirem frutos se existir árvore; existir árvore só se houver semente fertilizada; e semente fertilizada somente se a terra for boa e os jardineiros também. E nós sabemos que o são.

Agradeço desde o primeiro funcionário pedreiro que aqui chegou, provavelmente para derrubar a capoeira, até São Francisco; porque entre estes dois personagens estamos nós, e sem sombra de dúvida o próprio Deus bondade.

Obrigado a todos pela existência do Seminário Santo Antônio.

Perdão se falei simples, e que como já disse, desejei sinceramente pulsar o meu coração em nome de 118 corações, que formam singelas páginas da história franciscana de 1999.

“Não busque por enquanto respostas que não lhe podem ser dadas porque não as poderia viver, pois trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas, talvez depois aos poucos, num dia longínquo consigo viver as respostas. “

Rainer Maria Rilke. *(Sic)

Discurso proferido na Sessão Solene de Abertura do Ano Cinqüentenário do Seminário Santo Antônio pelo seminarista Renato Adriano Pezenti.

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