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Agudos, 22/09/2019, 21:14
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Frei Onésimo Dreyer, professor em Agudos desde o início, reitor por longos anos do seminário, mestre de Física, matemática, astronomia fala deste período.

"Todos os que já passaram pelo velho seminário de Rio Negro terão lembranças da antiga RVPSC - Rede Viação Paraná Santa Catarina -, em especial do famoso 'misto' que, em teoria, saía cada dia às 5h10 da manhã da Estação de Mafra. Em Engenheiro Bley a gente podia baldear para o trem que vinha de Curitiba e que, no dia seguinte, a uma hora um tanto imprevisível, entrava na estação da Sorocabana, em São Paulo. O 'misto' que, na madrugada de 31 de janeiro de 1950, arrancava de Mafra com dois vagões de passageiros a mais, pode merecer algum destaque nos anais da Província. Levava nestes dois vagões quatro padres e 70 alunos em mudança para Agudos. Em Engenheiro Bley os dois vagões foram engatados no trem paulista que vinha de Curitiba.

A locomotiva estranhou o peso adicional e o trem foi atrasado. Em Iperó, o trem São Paulo-Ourinhos recebeu os dois preciosos vagões e os puxou, sem muito esforço adicional, até Juquiratiba, ao pé da serra de Botucatu, porque até lá a linha estava eletrificada. Neste trecho acabou o chimarrão, porque a gente não podia mais buscar água quente na locomotiva em troca de cigarro de palha para o maquinista. Para lá de Juquiratiba, outra vez com máquina a vapor, o trem atrasou mais duas horas na subida de serra. Afinal, no dia 1° de fevereiro, às 10 horas da noite, apareceu a primeira luz de Agudos. O povo, aglomerado na estação, soltava foguetes. O prefeito da cidade Pe. João Batista de Aquino fez inflamado discurso de boas-vindas.

Frei Cipriano Chardon, que já nos estava esperando em Agudos, retribuiu a saudação e os 70 jovens, empoeirados e famintos, mas dispostos a enfrentar qualquer coisa, entoam seu canto predileto daquele tempo: 'Nós dobramos a nossa alma...' Os quatro padres que acompanharam o grande êxodo foram: Frei Vito Maria Wiltgen, Frei Onésimo Dreyer, Frei Beraldo Fleddermann e Frei Hildebrando Hafkemeyer. Em Agudos já se achavam Frei Cipriano Chardon e Frei Tadeu Hoenneghausen, além de Frei Rufino Ueter, e um grupo de seis estudantes para arrumar a casa, entre eles: Francisco Roldo, Honorato Devigili e Antônio Lorenzetti.

Igualmente já estava a postos uma seleta equipe de irmãos: Frei Mansueto Schoettler, alfaiate; Frei Anselmo Thiele, padeiro; Frei Honório Schiffer, hortelão; frei Valdomiro Pazzini, marceneiro; Frei Mário Araújo, cozinheiro; Frei Guido Tomiosso, copeiro; e Frei Tarcísio Bonetti, sapateiro e sacristão. Poucos dias depois chegaram também outros dois padres que o definitório havia transferido para Agudos: Frei Álvaro Machado da Silva e Frei Columbano Gilbert. Frei Cipriano foi o primeiro Diretor do Seminário e superior da comunidade, que se compunha de 9 padres e 7 irmãos.

A gente foi se ajeitando na nova casa. Cozinha, copa, refeitório, algumas oficinas e um dormitório já estavam mais ou menos prontos. Como Capela servia a atual sala de recreio da 1ª ala, aliás única ala que estava em pé. Como não havia bancos, as caixas que vinham os ladrilhos de São Paulo serviam de genuflexório individual. As mesmas caixas, colocadas em pé e encostadas na parede do corredor, serviam de biblioteca no primeiro ano. Não existia uma dúzia de chuveiros. Alicerces estavam se abrindo por toda parte, betoneiras estavam roncando debaixo das janelas, preás de dia, gambás de noite passeavam pelos corredores. A samambaia começava logo para lá das salas de aula, infestadas de moscas e vespas. Mas uma pitada de orgulho enchia os moradores, uma grande vontade de fazer desta obra de nossa Província um sucesso.

No dia 19 de fevereiro, Dom Frei Henrique G. Trindade veio de Botucatu para benzer a nossa casa. Foi solene a bênção, assistida pelo vigário de Agudos Mons. José Maria da Silva Paes, pelo prefeito Pe. João Batista de Aquino, pelo vice-provincial Frei Heliodoro Mueller, pelo Dr. Joaquim Bezerra da Silva e pelo mestre-de-obras Sr. Armando Carrara. Houve até uma carta do Miniatro Geral da nossa Ordem. A nota destoante foi o temporal que desabou no meio da bênção, obrigando todo mundo a uma corrida pouco litúrgica à procura de algum canto protegido. Três dias mais tarde, na manhã de 22 de fevereiro do Ano Santo de 1950, iniciamos as aulas".

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